quinta-feira, 23 de maio de 2019

Corpo Poema



Resende, 23 de maio de 2019. 
CARTA

Para: Meu Corpo.

Oi Corpo! tudo bem? Hoje eu cuidei bem de você, fiz 45 minutos de aeróbico e 25 de ioga. Comi um pesto de manjericão incrível que eu mesma fiz. O melhor é que comi com moderação. O suficiente para ficar feliz. Mesmo assim as coisas sempre foram difíceis entre nós. Tudo tão íntimo, particular e ao mesmo tempo tão universal. O mundo faz isso com a gente.

Você Corpo é assim: assimétrico e deslocado do seu espaço, tem a dor contínua dos ombros e pescoço, sem falar na rigidez das vértebras lombares. Os joelhos que rangem nas escadas, os dois anelares inflamados. Dores e desjeitos. O que eu quero Corpo?  Já te maltratei tanto. Até hoje me aproveito da sorte para te descuidar. Atos físicos de desamor próprio hoje são coletivos, como nas passarelas anorexas da Semana de Moda. Pessoas se espremem em arquibancadas e em cintas. Nada disso ameniza as suas dores Corpo. Elas pioram com os anos. É como enxergar a gestação como um luto. Ainda bem que você tem limiares mais altos que te fazem suportar.

Alongue o pescoço Corpo, mas olhar para o lado está mais difícil. Eu continuo olhando, muito, lentamente, sem pressa, sem perder a calma. Pois sim, fiquei com mania de manter e estocar energia. Quilos de gordura e preconceito muito bem guardados. A geleira que cobriu o meu coração permanece intacta. E o seu calor Corpo, é tão reconfortante! Você é forte, confortável, funcional. Sempre me perco de você, mas bom mesmo é ficarmos colados.  Porque secretamente eu gosto de você: Aconteceu de caber!

Mas porque escrever assim? Afinal, não somos uma só? Leia-se dos dedinhos dos pés aos fios dos cabelos. Leia inteira, que o corpo é poema. Pela sua beleza, agilidade e sutileza, eu lhe desejo Corpo, que eu caiba em você, porque o seu milagre é simples como a sua mera existência e eu tenho muito a lhe agradecer.


Espero sua resposta!

Consciência Ká Jeans 42


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